lundi 27 mars 2017

Histoire d'un parcours : Jacques Ardies (Brésil)

Les colonnes de ce blog sont ouvertes aux Français qui font leur vie sur le continent latino-américain. Ce mois-ci, découvrons le parcours de Jacques ARDIES, installé à Sao Paulo (Brésil) :
« Né d’un père belge et d’une mère française, je suis un binational qui est devenu brésilien.

A l´âge de 24 ans, je termine une école de commerce, complétée par une année d'économie à l´université de Louvain, lorsque je me mets dans la tête que je ne veux absolument pas faire mon service militaire. Et travailler pendant deux ans dans un pays en voie de développement m´offre l´exemption de cette obligation. La bossa nova, les belles plages, le pays du soleil, tout me pousse à partir pour le Brésil.
Après quelques mois d´apprentissage de la langue et des petits boulots pour survivre, je suis engagé par le bureau de représentation du groupe CIC, installé dans la filiale de Saint-Gobain Pont-à-Mousson, à São Paulo. Pendant deux ans, je voyage beaucoup au Brésil pour répondre à des demandes d´études de marché pour des clients de la banque. Puis, je suis débauché par une société d´exportation, pour améliorer la communication avec l´Europe. 

Et puis, c´est le drame : je me retrouve sans travail. Me revoilà, quatre ans plus tard, à faire toute sorte de boulots pour survivre, des études de marché pour essayer d’exporter des produits brésiliens : je donne même des cours de tennis. Libre et prêt à tout, une idée absurde surgit alors : pourquoi ne pas ouvrir une galerie d´art ?

J´avais eu un contact rapide et court avec des peintres naïfs par le passé : à ma grande surprise, j’ai découvert que ces artistes, justement, n’étaient pas exposés en galerie. Je me dis alors qu’il y a une place à prendre. Mais comment fait-on pour que des gens viennent vous acheter des tableaux ?
Tout est très intense et rapide. En l´espace de trois mois,  j'obtiens une liste de clients potentiels par l´appui de nombreux amis qui me communiquent des adresses. En parallèle, j´obtiens des tableaux en dépôt de la part de plusieurs artistes. J´inaugure ma première exposition à l´étage d´un salon de thé qui s´appelle “Cravo e canela” (clou de girofle et cannelle).

C’est grâce à l´appui de la communauté étrangère, surtout européenne, et aussi grâce aux Brésiliens qui sont tellement accueillants, que j'ai pu démarrer sur les chapeaux de roue. J´ai eu aussi beaucoup de chance et, après un an, j’installais la galerie dans un quartier plus central et plus accessible, en lui donnant mon nom : la galerie Jacques Ardies qui, 37 ans plus tard, existe encore.

Tous les ans, je reviens en France. Il est bon de retrouver ses racines, la famille, et des tas d´amis. Je fréquente l´association des Français à l’étranger qui, à l´occasion d´un dîner convivial, offre le plaisir de se replonger dans la langue française.
https://fr-fr.facebook.com/galerianaif/ 
Sans vraiment être préparé pour ce parcours, promouvoir l´art naïf brésilien est devenu mon destin, un objectif essentiel et une occupation professionnelle que j´adore. J´aime cet art, car il représente bien l´essence du Brésil, la chaleur humaine, l´exubérance de la nature, la joie de vivre, l´optimisme contagieux !

Avec ma femme Lucia, nous avons trois enfants magnifiques. J´aime ce pays et je crois que j´y finirai ma vie. »
 
Pour en savoir davantage sur Jacques Ardies et l'art naïf brésilien :
- le livre L'art naïf du Brésil écrit par J. Ardies (2014)



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  História de um percurso : Jacques ARDIES (Brasil)

As colunas deste blog estão abertas aos franceses que fazem a sua vida no continente latino-americano. Este mês, vamos descobrir o percurso de Jacques ARDIES, instalado em São Paulo (Brasil) :

« Nascido de um pai belga e de uma mãe francesa, eu sou um binacional que se tornou brasileiro.


Aos 24 anos de idade, eu termino uma Escola de Comércio, completada por um ano de Economia na Universidade de Louvain, quando eu pus na cabeça que eu não queria de jeito nenhum fazer o meu serviço militar. E trabalhar durante dois anos num país em vias de desenvolvimento me oferece a isenção dessa obrigação. A bossa nova, as belas praias, o país do sol, tudo me empurra a partir para o Brasil.

Após alguns meses de aprendizado da língua e de alguns pequenos bicos para sobreviver, eu fui contratado pelo escritório de representação do grupo CIC, instalado na filial da Saint-Gobain Pont-à-Mousson, em São Paulo. Durante dois anos, eu viajo muito no Brasil, para responder a demandas de estudos de mercado para clientes do banco. Depois, eu fui contratado por uma sociedade de exportação, para melhorar a comunicação com a Europa.

E depois, foi o drama: eu me encontro sem trabalho. Eis-me de novo, quatro anos depois, a fazer toda sorte de bicos para sobreviver, estudos de mercado para tentar exportar produtos brasileiros: até dei aulas de tênis. Livre e pronto a tudo, uma ideia absurda surgiu então: por que não abrir uma galeria de arte ?

Eu tinha tido um contato rápido e curto com pintores naïfs no passado: para minha grande surpresa, eu descobri que esses artistas, justamente, não estavam expostos em galeria. Eu disse para mim mesmo então que há um lugar a preencher. Mas, como fazer para que as pessoas venham lhe comprar quadros ?

Tudo é muito intenso e rápido. No espaço de três meses, eu reuni uma lista de potenciais clientes, graças ao apoio de vários amigos que me comunicam os endereços. Em paralelo, eu obtenho os quadros em depósito por parte de vários artistas. Eu inauguro a minha primeira exposição, na sobreloja de um salão de chá que se chama “Cravo e canela”.


É graças ao apoio da comunidade estrangeira, sobretudo europeia, e também graças aos brasileiros, que são tão acolhedores, que eu consigo começar sobre chapéus de roda.

Eu também tive muita sorte e, após um ano, eu instalo a galeria num bairro mais central e mais acessível, dando a ela o meu nome: a galeria Jacques Ardies que, 37 anos mais tarde, ainda existe.

Todos os anos, eu volto à França. É bom reencontrar suas raízes, a família, e montes de amigos. Eu frequento a associação dos franceses do estrangeiro que, por ocasião de um jantar convivial, oferece o prazer de mergulhar de novo na língua francesa.



https://fr-fr.facebook.com/galerianaif/ 
 
Sem realmente estar preparado para esse percurso, promover a arte naïf brasileira se tornou o meu destino, um objetivo essencial e uma ocupação profissional que eu adoro. Eu amo esta arte, pois ela representa bem a essência do Brasil, o calor humano, a exuberância da natureza, a alegria de viver, o otimismo contagiante !


Com a minha mulher, Lúcia, nós temos três filhos magníficos. Eu amo este país e creio que é nele que eu terminarei a minha vida. »

 
Para saber mais sobre Jacques Ardies e a arte naïf brasileira :
- ler sua entrevista em lepetitjournal.com (04/12/2014)
- o livro L'art naïf du Brésil escrito por J. Ardies (2014)