dimanche 18 décembre 2016

Vote électronique : histoire d'un fiasco annoncé

Mais pourquoi donc ce gouvernement n'aime-t-il pas les Français de l'étranger ?

C'est bien la question que nous sommes en droit de nous poser après le test grandeur nature raté sur le vote électronique qui a été réalisé début décembre.

En 2012 pour les élections législatives, puis en 2014 pour les élections consulaires, les Français établis hors de France ont fait connaissance avec le vote électronique. Hélas, chacun d’entre nous a en mémoire les difficultés rencontrées alors. Cinq ans après sa première mise en oeuvre, le vote électronique est toujours un fiasco, avec des conséquences bien connues sur le taux de participation.

Reconnaissons que le ministère des affaires étrangères a joué la transparence et s’est donné les moyens de tester ce nouveau software. En septembre, les postes consulaires ont contacté le maximum de volontaires pour expérimenter ce système. 

Bilan : de toute part, les réclamations se sont abattues sur le ministère et force est de constater que nous ne sommes pas au point : "Nous avons tous fait le constat que nous n'étions pas prêts" a déclaré le représentant du prestataire, Scytl, à l'issue de la clôture.

J’ignore qui a rédigé le cahier des charges, mais on peut imaginer que le mot « sécurité » a dû y figurer en caractères gras à toutes les pages. Regardez : l'électeur virtuel reçoit un email lui annonçant qu’il peut demander son identifiant ; après une manipulation, il obtient son identifiant, et là première surprise, il y a tant de caractères de toutes sortes (lettres + chiffres + points + virgules + points-virgules...) qu’il faut avoir des yeux de lynx pour reporter son identifiant sans erreur du premier coup.

Il y a bien un numéro de téléphone dédié à l’assistance, mais… il ne répond pas. Après plusieurs tentatives, l’identifiant est finalement saisi. Puis, sur le téléphone portable, on reçoit un SMS qui donne un code tout aussi complexe et diversifié. A la fin de la procédure, comme dans les poupées gigognes, il y a une autre procédure, pour valider le vote. Cette torture recommence au deuxième tour !

A la vue de ces difficultés et de cette complexité, on donne un avis qui dépend évidemment de l’expérience qu’on a de l’électeur moyen de sa circonscription. Je l'affirme tout net  : le vote électronique dans ce conditions sera un flop plus grave encore que par le passé. 

A cela s’ajoute que le SMS qui, à lire les collègues européens, est parfaitement utilisable, n’est pas un moyen de transmission qui fonctionne dans certains endroits du globe. Qui s’est enquis de savoir si ce système fonctionne bien en Amérique latine et dans les Caraïbes ? Le SMS est un moyen de transmission totalement aléatoire, ici au Brésil, et je recommande qu’il soit mis en place un système de substitution. 

J’ajoute, avec les Listes Électorales en mains qu’il y manque un bon quart des adresses électroniques. Comment voteront les Français qui n’ont pas d’email, ni de téléphone cellulaire ?

La majorité de mes collègues Conseillers consulaires note qu’il existe beaucoup de problèmes. Plusieurs d'entre eux font référence à la complexité des identifiants et codes d’accès : ils évoquent les codifications autrement plus simples des opérations en ligne avec les banques, et avouons qu’on entend pas parler de problèmes de sécurité des transactions.

Il y aura un autre test en janvier 2017. J’y participerai avec beaucoup d’attention parce que je pense que si l’on axe tout à ce point sur la sécurité, comme ce fut le cas dans ce premier test, l’ergonomie sera oubliée et la participation chutera encore.

En conclusion, j’ai une question à destination du ministère et de la Direction des français de l’étranger : pourquoi a-t-on attendu les dernières semaines du quinquennat pour commander un nouveau logiciel ? Et si le test de janvier n’est pas satisfaisant ?

Éléments complémentaires d’analyse :

Scytl est le prestataire qui a été choisi par le gouvernement français pour fournir le logiciel de vote par Internet utilisé lors des élections législatives, dans un cadre de fonctionnement très opaque. Selon son propre site, Scytl détiendrait 87 % du marché mondial du vote par Internet. Il gère non seulement les élections politiques, mais aussi et surtout beaucoup d'élections professionnelles, syndicales, ou de processus de concertation.

Ces levées de fonds interviennent cependant dans un moment délicat pour le vote électronique en Europe. Fragilisé en France par un rapport parlementaire qui préconisait le statu quo, abandonné en Norvège, très contesté en Belgique après le fiasco des Européennes,… le vote dématérialisé a bien du mal à convaincre de ses atouts face à une solution, certes plus archaïque en apparence, mais aussi plus protectrice des principes démocratiques.

Xavier Noël-Bouton
Conseiller consulaire pour la circonscription de Recife-Brasilia

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Voto eletrônico: história de um fiasco anunciado



Mas por que então este governo não gosta dos franceses do estrangeiro?

É bem esta a questão que nós temos o direito de nos colocar, após o grandioso teste fracassado sobre o voto eletrônico, que foi realizado no início de dezembro.

Em 2012, para as eleições legislativas, e depois, em 2014, para as eleições consulares, os franceses estabelecidos fora da França tomaram conhecimento do voto eletrônico. Infelizmente, cada um de nós tem guardadas na memória as dificuldades encontradas então. Cinco anos após a sua primeira execução, o voto eletrônico continua sendo um fiasco, com as consequências bem conhecidas sobre os percentuais de participação.

Reconheçamos que o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi transparente e deu-se os meios de testar este novo software. Em setembro, os postos consulares contataram o máximo de voluntários para experimentar este sistema. 

Balanço: por todo lado, as reclamações se abateram sobre o Ministério, e é forçoso constatar que não estamos no ponto: "Nós todos constatamos que não estávamos prontos”, declarou o representante do prestador do serviço, Scytl, na sequência do fechamento.

Eu ignoro quem redigiu o caderno de encargos, mas pode-se imaginar que a palavra « segurança » deve ter figurado em grandes caracteres em todas as páginas. Vejam: o eleitor virtual recebe um e-mail anunciando que ele pode pedir seu identificador; após uma manipulação, ele obtém o seu identificador, e aí – a primeira surpresa – há tantos caracteres de todo tipo (letras + números + pontos + vírgulas + pontos-e-vírgulas...) que é preciso ter olhos de lince para transpor seu identificador sem erro da primeira vez.

Existe de fato um número de telefone dedicado à assistência, mas... ele não responde. Após várias tentativas, o identificador é finalmente inserido. Depois, no telefone celular, recebe-se um SMS que envia um código igualmente complexo e diversificado. Ao final do procedimento, como nas bonecas russas, há um outro procedimento para validar o voto. Esta tortura recomeça ao segundo turno!

Em vista dessas dificuldades e dessa complexidade, dá-se uma opinião, que depende, evidentemente, da experiência que se tem do eleitor médio da sua circunscrição. Eu afirmo claramente: o voto eletrônico nestas condições será um fiasco ainda mais grave do que no passado. 

Acrescente-se a isso que o SMS que, pelo que dizem os colegas europeus, é perfeitamente utilizável, não é um meio de transmissão que funciona em certos lugares do globo. Quem se inquietou de saber se este sistema funciona bem na América Latina e nas Caraíbas? O SMS é um meio de transmissão totalmente aleatório, aqui no Brasil, e eu recomendo que seja posto em prática um sistema de substituição.

Eu acrescento, com as listas eleitorais em mãos, que falta um bom quarto dos endereços eletrônicos. Como votarão os franceses que não têm e-mail nem telefone celular?

A maioria dos meus colegas Conselheiros Consulares nota que existem muitos problemas. Vários dentre eles fazem referência à complexidade dos identificadores e códigos de acesso: eles evocam as codificações muito mais simples das operações em linha com os bancos, e confessemos que não se ouve falar de problemas de segurança das transações.

Haverá um outro teste em janeiro de 2017. Eu participarei com muita atenção porque eu acho que se se focar a tal ponto na segurança como foi o caso no primeiro teste, a ergonomia será esquecida e a participação baixará mais uma vez. 

Em conclusão, eu tenho uma questão destinada ao Ministério e à Direção dos Franceses do Estrangeiro: por que se esperou as últimas semanas do quinquênio para encomendar um novo aplicativo? E se o teste de janeiro não for satisfatório?

Elementos complementares de análise:

Scytl é o prestador de serviço, que foi escolhido pelo governo francês, para fornecer o aplicativo de voto pela internet, utilizado nas eleições legislativas, num âmbito de funcionamento muito opaco. Segundo o seu próprio site, Scytl detém  87% do mercado mundial do voto pela internet. Ele gera  não apenas as eleições políticas, mas também e sobretudo muitas eleições profissionais, sindicais ou de  processos de concertação. 

Estas angariações de fundos intervêm no entanto num momento delicado para o voto eletrônico na Europa. Fragilizado na França por um relatório parlamentar que preconizava o  statu quo, abandonado na Noruega, após o fiasco das eleições europeias,… o voto desmaterializado tem alguma dificuldade a convencer dos seus pontos fortes, face a uma solução – certamente mais arcaica na aparência – mas também mais protetiva dos princípios democráticos.

Xavier Noël-Bouton
Conselheiro Consular na circunscrição de Recife-Brasília.