lundi 19 décembre 2016

Le calvaire du certificat de vie

L’innovation était le credo du Président Hollande, tour à tour portée par Fleur Pellerin, par Emmanuel Macron et par Axelle Lemaire. Mais, l’innovation n’a pas été invitée à la table des caisses de retraites…

Dans cette France moderne, qui compte nombre d’inventions, les caisses de retraites sont trop occupées pour innover.

Une fois par an et par caisse, le retraité français doit faire valider un certificat de vie. En Amérique latine, depuis l’arrêt de l’activité de l’Aéropostale, la demande de certificat de vie expédiée par courrier classique - lent, très lent - met cinq à six semaines pour nous parvenir….  Bien lisible en haut et à gauche de la lettre d’envoi figure le délai impératif de réception par la caisse du document rempli : 2 mois ! Autant dire que c’est impossible. Commence alors l’angoisse de voir sa retraite coupée jusqu'à régularisation. Cette préoccupation est partagée par tous nos concitoyens en retraite à travers le monde : depuis le mois d'octobre, certains ont même décidé de signer une pétition pour alerter les pouvoirs publics

Plusieurs points sont à souligner : 
1. Si vous avez plusieurs caisses, ce qui est le cas pour tous les anciens cadres, pour les professions libérales, pour les agriculteurs etc. vous devez savoir que les caisses ne partagent pas les informations. Vous devez faire signer autant de certificat que vous avez de caisses. Si vous êtes encore en vie, il faut le dire, et si possible à tout le monde !

2. Si vos amis ont tous reçu la demande de certificat, et pas vous, bon citoyen, vous allez demander à votre consulat de faire une attestation sur papier libre avec signature, tampon etc.. . Non ça ne va pas, la caisse exigera un document original. La signature et le tampon du consulat n’ont donc aucune valeur ? Même le formulaire téléchargeable sur internet, dont nous avons déjà parlé sur ce blog, est parfois refusé par les caisses.

3. Vous ne pouvez pas réclamer un nouvel envoi car,  si vous lisez avec attention, sur aucun document émis par votre caisse vous ne trouverez de numéro de téléphone ou d’adresse email. Comme à l’époque des diligences, on communique sur support papier et via la Poste ou par coursier. Si par hasard, vous parvenez à trouver un téléphone, il a une vertu : il sonne. Mais il sonne dans le vide. Si vous trouvez un email, il va arriver sur l’ordinateur du chef de service qui n’appréciera pas que son autorité ait été abusée : pas plus de réponse. Si enfin, vous faites envoyer un courrier par l’autorité consulaire, vous n’aurez pas non plus de réponse.

Ces différents points, connus de la Direction des Français de l’Étranger depuis Vercingétorix, ne semblent pas affecter le moins du monde nos cadres du ministère.

En route vers la modernité.
Une réunion a été organisée récemment  au Sénat avec une bonne part des élus des français de l’étranger [députés et sénateurs] et les représentants des différentes caisses. L’ensemble de ces points a été soulevé et il ressort qu’un remplacement du simple courrier va être mis en place, ainsi qu’une fusion des certifications concernant chaque retraité. Le délai sur lequel le tour de table s’est accordé est le 1er janvier 2018. 

J’espère être encore vivant ! 

Et si certains se sont félicités de la dématérialisation promise, je reste pour ma part très septique sur la volonté des pouvoirs publics de simplifier à court terme la vie de nos compatriotes résidant loin de la métropole. Il suffit en effet de lire la réponse qu'a donnée le ministère le 8 décembre à une question posée par la sénatrice Joëlle Garriaud-Maylam sur l'état d'avancement des démarches de simplification des attestations de vie. L'optimisme n'est pas de rigueur malheureusement. 

Xavier Noël-Bouton
Conseiller consulaire pour la circonscription de Recife-Brasilia


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O calvário do certificado de vida



A inovação era o credo do Presidente Hollande, repetido por Fleur Pellerin, por Emmanuel Macron e por Axelle Lemaire, cada um por sua vez. Mas, a inovação não foi convidada à mesa dos fundos de pensão…

Nessa França moderna, que conta numerosas invenções, os fundos de pensão estão muito ocupados para inovar.

Uma vez por ano, e por fundo, o aposentado francês deve fazer validar um certificado de vida.  Na América Latina, desde a parada da atividade da Aéropostale, o pedido de certificado de vida expedido pelo correio clássico – lento, muito lento – leva cinco a seis semanas para chegar….  Bem legível, no alto à esquerda da carta de envio, figura  o prazo imperativo de entrega do documento preenchido ao fundo de pensão: 2 meses ! É impossível. Começa então a angústia de ver sua aposentadoria cortada até a regularização. Esta preocupação é partilhada por todos os nossos concidadãos aposentados ao redor do mundo: desde outubro, alguns decidiram mesmo de assinar uma petição para alertar os poderes públicos

Vários pontos são a destacar :

1. Se você tiver vários fundos, que é o caso para todos os antigos quadros, para as profissões liberais, para os agricultores etc., você deve saber que os fundos não partilham as informações.  Você tem que validar tantos certificados de vida quantos fundos de pensão você tiver. Se você estiver ainda vivo, é preciso dizer, e se for possível para todo mundo!

2. Se todos os seus amigos receberam o pedido de certificado, e você, não, como bom cidadão, você vai pedir ao seu consulado para fazer um atestado num papel em branco, com assinatura, carimbo etc. Mas não, não funciona, o fundo exigirá um documento original. A assinatura e o carimbo do consulado não têm então nenhum valor? Mesmo o formulário que você pode baixar pela internet, sobre o qual nós já falamos neste blog, é às vezes recusado pelos fundos.

3. Você não pode reclamar um novo envio pois, se você ler com atenção, em nenhum documento emitido pelo seu fundo de pensão você encontrará um telefone ou um e-mail. Como na época das diligências, a comunicação é feita em suporte papel e via correio ou por um portador. Se, por acaso, você conseguir encontrar um número de telefone, tem uma virtude: ele toca. Mas ele toca no vazio. Se você encontrar um e-mail, ele vai chegar ao computador do chefe de serviço, que não apreciará que a sua autoridade tenha sido abusada: também não terá resposta. Se, enfim, você enviar um correio pela autoridade consular, você igualmente não terá resposta.

Estes diferentes pontos, conhecidos da Direção dos Franceses do Estrangeiro desde Vercingétorix, não parecem afetar minimamente os nossos quadros do Ministério.

Em direção à modernidade.

Uma reunião foi organizada recentemente no Senado com uma boa parte dos eleitos dos franceses do estrangeiro [deputados et senadores] e os representantes dos diferentes fundos de pensão. O conjunto desses pontos foi levantado e decidiu-se que uma substituição do correio simples será implementado, assim como uma fusão dos certificados relativos a cada aposentado. O prazo para essas modificações é 1º de janeiro de 2018.

Espero estar ainda vivo!

E se alguns se felicitaram pela prometida desmaterialização, eu permaneço cético sobre a vontade dos poderes públicos de simplificar a curto prazo a vida dos nossos compatriotas residentes longe da metrópole. Basta na verdade ler a resposta que deu o Ministério, em 8 de dezembro, a uma questão colocada pela Senadora Joëlle Garriaud-Maylam sobre o adiantamento  dos procedimentos de simplificação dos atestados de vida. O otimismo não é de rigor, infelizmente. 

Xavier Noël-Bouton
Conselheiro Consular pela circunscrição de Recife-Brasília.