samedi 26 novembre 2016

Histoire d'un parcours : Jeff Mauget (Brésil)

Les colonnes de ce blog sont ouvertes aux Français qui réussissent leur vie sur le continent latino-américain. Ce mois-ci, découvrons le parcours de Jeff MAUGET, installé à Rio de Janeiro (Brésil) :

« En 1998, je commence à travailler dans une banque. J'attrape le "virus du Brésil" au cours de mon premier voyage à Recife en 2001. Suivront plusieurs voyages qui me conduiront du Pantanal au Nordeste, en passant par l’Amazonie.


En 2007, lassé de mon métier de banquier et de ses valeurs que je ne partage plus du tout, je demande un congé formation à mon employeur pour passer un C.A.P. de cuisinier. Mon diplôme en poche, je débute dans la restauration à Paris en 2008, puis décide avec ma femme, Marion, de partir faire le tour du monde pendant un an : nous terminons par le Brésil.


De retour à Paris, je me forme pendant 2 ans et passe mon C.A.P. de pâtissier. Commençant à penser sérieusement à nous expatrier au Brésil, nous passons une petite annonce pour apprendre le portugais et rencontrons ainsi un Carioca, Felix, qui nous donne nos premières leçons en échange… d’un bon repas !

En 2013, nous effectuons un voyage d’exploration au Brésil pour trouver un endroit où monter une affaire. Nous entamons ensuite les démarches pour obtenir un visa d’investisseur, ce qui prend plus d’un an avant d’aboutir : nous commençons à entrevoir les lourdeurs de l’administration brésilienne.

Juillet 2014, nous débarquons à Rio avec nos deux filles, Nina 4 ans et Louise 1 an ½ et avec nos deux projets en tête : le lancement d'une pâtisserie et la création d'une marque de vêtements pour enfants. Nous inscrivons directement les filles dans une école du quartier et quelques mois plus tard, Nina parle déjà portugais avec un bel accent Carioca ! Pendant ce temps, je découvre et teste les matières premières qui sont bien différentes de ce que je connais et notamment le beurre, pour lequel je dois essayer une bonne dizaine de marque avant de trouver mon bonheur !

En décembre 2014, je peux ouvrir l’Atelier des Saveurs juste avant Noël, première pâtisserie virtuelle de Rio. Le site propose une gamme de produits sucrés et salés avec les classiques de la pâtisserie française : croissants, pains au chocolat, tartes bourdalou, tartes citron, fraisiers, entremets chocolat/noisette, confitures et petits gâteaux. Les clients choisissent et paient leurs produits en ligne, puis je les livre. 

Dès janvier 2015, je participe à mon premier marché au sein d’un collectif de petits producteurs "Junta Local" qui a pour but de rapprocher des artisans locaux du grand public. Cette association qui ressemble à une AMAP va me faire connaître auprès des brésiliens qui apprécient les produits français peu sucrés. Les premiers commentaires sont élogieux. Mes produits sont remarqués et des articles parlent de ma petite entreprise sur des blogs et notamment dans le journal Globo. Mon activité se développe et il faut tout gérer en même temps, la production, le marketing, les clients et les fournisseurs. Ma femme décide d’arrêter de m’aider pour se consacrer à son projet de créer une ligne de vêtements pour enfants.

En octobre 2015, je m’installe à la Fabrica Bhering, une ancienne usine de chocolat dans laquelle j’apprécie d’avoir mon propre atelier. Et évidemment, les autres locataires de la Fabrica sont heureux d’avoir des croissants frais ! Fin 2015, nous quittons les quartiers nord de Rio pour nous rapprocher du lycée français afin d'y inscrire nos enfants. Malheureusement, notre demande de bourse est rejetée et ma femme doit mettre son projet en "stand bye" afin de s’occuper de nos filles et de faire école à l’aîné qui entre en grande section.

Après presque 2 ans d’activités, je commence à fournir quelques café à Rio qui recherchent des produits de qualités. Les perspectives sont prometteuses mais les difficultés nombreuses : trouver du personnel motivé et qualifié ; inflation permanente qui diminue les marges (+33% d’augmentation sur le beurre en 1 an) ; coupure d’électricité pendant 1 mois ; coupures d’eau ; insécurité du quartier situé à coté d’une favela ; une bureaucratie telle qu’il m’a fallu plus d’un an pour obtenir une autorisation de fonctionnement...

De son côté, ma femme a pu finaliser sa première collection pour enfants et elle s’occupe maintenant de la commercialisation. Nous croyons beaucoup à nos deux projets car nous avons le même credo : des produits de qualité (choix des matières premières) et un savoir faire français apprécié (technique et style). 

Sur le plan personnel, le coût de la vie est onéreux et les factures s’envolent : augmentation de l’électricité de plus de 50% en 1 an ; école pour les enfants hors de prix ; assurance santé payante…

Mais, Rio compte beaucoup de Français qui viennent soit dans le cadre d’une expatriation, soit comme nous en "aventurier" pour changer de vie et prendre un nouveau départ. Il y a des marchés à prendre car c’est un pays jeune, mais il faut beaucoup travailler et ne pas se laisser décourager par les aléas qui sont nombreux ici…

Après 2 ans passés, nous avons réussi à lancer nos activités. Il ne reste plus qu’à concrétiser ! »
Pascal Gras, Jeff Mauget, Pascal Drouhaud et Xavier Noël-Bouton

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História de um percurso: Jeff Mauget (Brésil)

As colunas deste blog são abertas aos franceses que obtiveram sucesso no continente latino-americano. Este mês, vamos descobrir o percurso de Jeff MAUGET, estabelecido no Rio de Janeiro (Brasil) :

« Em 1998, eu começo a trabalhar num banco. Eu pego o "vírus do Brasil" durante minha primeira viagem a Recife, em 2001. Seguirão várias viagens que me conduzirão do Pantanal ao Nordeste, passando pela Amazônia.

Em 2007, farto do meu trabalho de bancário e dos seus valores, que eu não partilho mais de jeito nenhum, eu peço umas férias de formação ao meu empregador para obter um diploma C. A. P. de cozinheiro. Com o meu diploma no bolso, eu começo na restauração em Paris, em 2008; depois decido, com a minha mulher, Marion, de partir para fazer a volta ao mundo durante um ano: nós terminamos pelo Brasil.

De volta a Paris, eu passo 2 anos em formação e obtenho o meu diploma C. A. P. de pasteleiro. Começando a pensar seriamente a nos expatriarmos para o Brasil, nós publicamos um anúncio para aprendermos o português e encontramos assim um carioca, Félix, que nos dá nossas primeiras lições em troca… de uma boa refeição! 

Em 2013, nós fazemos uma viagem de exploração ao Brasil para encontrar um local onde montar um negócio. Nós iniciamos em seguida os procedimentos para obter um visto de investidor, o que leva mais de um ano até a conclusão: nós começamos a perceber o peso da administração brasileira.

Julho de 2014, nós desembarcamos no Rio com nossas duas filhas, Nina, de 4 anos, e Louise, de 1 ano e meio, e com nossos dois projetos na cabeça: o lançamento de uma pâtisserie e a criação de uma marca de roupas para crianças. Nós matriculamos as meninas diretamente numa escola do bairro, e alguns meses mais tarde, Nina fala já o português com um belo sotaque carioca! Durante esse tempo, eu descubro e testo as matérias-primas, que são bem diferentes do que eu conheço, notadamente a manteiga, que eu tenho que experimentar uma boa dezena de marcas antes de encontrar a minha paixão! 

Em dezembro de 2014, eu posso abrir l’Atelier des Saveurs justo antes do Natal, primeira pâtisserie virtual do Rio. O site propõe uma gama de produtos doces e salgados, com os clássicos da pâtisserie francesa : croissants, pães com chocolate, tortas bourdalou, tortas de limão, fraisiers (pâtisserie de morango), entremets chocolate/avelã (sobremesa), geleias e biscoitos. Os clientes escolhem e pagam os produtos em linha, depois eu entrego. 

Desde janeiro de 2015, eu participo do meu primeiro mercado, no âmbito de um coletivo  de pequenos produtores, "Junta Local", que tem por objetivo aproximar os artesãos locais do grande público. Essa associação, que lembra uma AMAP (Association pour le Maintien d’une Agriculture Paysanne), vai me tornar conhecido junto dos brasileiros que apreciam os produtos franceses pouco doces. Os primeiros comentários são elogiosos. Meus produtos são notados e os artigos falam da minha pequena empresa nos blogs, notadamente no jornal Globo. Minha atividade desenvolve-se e é preciso gerir tudo ao mesmo tempo: a produção, o marketing, os clientes, os fornecedores. Minha mulher decide parar de me ajudar para se dedicar ao seu projeto de criar uma linha de roupas infantis.

Em outubro de 2015, eu me instalo na Fábrica Bhering, uma antiga fábrica de chocolate, na qual eu aprecio ter o meu próprio atelier. E evidentemente, os outros locatários da Fábrica estão felizes de ter croissants frescos ! Fim de 2015, nós nos mudamos da zona norte do Rio para nos aproximar do liceu francês, a fim de  aí matricular nossas filhas. Infelizmente, nosso pedido de bolsa foi rejeitado, e minha mulher tem que deixar o seu projeto em "stand-by", a fim de cuidar das nossas filhas e de ensinar à mais velha, que entra na escola primária. 

Após quase 2 anos de atividades, eu começo a fornecer para alguns cafés do Rio, que procuram produtos de qualidade. As perspectivas são promissoras, mas as dificuldades, numerosas: encontrar pessoal qualificado e motivado; inflação permanente, que diminui as margens (+33% de aumento na manteiga em 1 ano); corte de eletricidade durante 1 mês ; corte de água; insegurança do bairro, situado próximo a uma favela; uma burocracia tal, que eu precisei de mais de um ano para obter uma autorização de funcionamento...

Do seu lado, a minha mulher pôde finalizar sua primeira coleção infantil, e ela cuida agora da comercialização. Nós acreditamos muito nos nossos dois projetos porque nós temos a mesma crença: produtos de qualidade (escolha das matérias-primas) e um savoir-faire francês apreciado (técnica e estilo). 

No plano pessoal, o custo de vida é oneroso e a faturas voam: aumento de eletricidade de mais de 50% em um ano; escola para as crianças por um preço exorbitante; seguros de saúde pagos...

Mas, o Rio conta com muitos franceses, que vêm, seja no âmbito de uma expatriação, seja como nós, como “aventureiros”, para mudar de vida e recomeçar do zero. Há mercados a explorar, pois é um país jovem, mas é preciso trabalhar muito, e não se deixar desencorajar pelos imponderáveis, que são numerosos aqui... 

Passados 2 anos, nós conseguimos lançar nossas atividades. Só resta agora concretizar! »